sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Educação para um mundo melhor: um debate em curso a uma escala global

Enfrentamos hoje desafios sem precedentes — sociais, económicos e ambientais — provocados por uma globalização em aceleração e por um muito mais rápido desenvolvimento tecnológico. Paralelamente, estas forças conferem uma miríade de novas oportunidades para o desenvolvimento humano. O futuro é incerto e não o conseguimos predizer; mas é preciso estar disponível e preparado para esse futuro. As crianças que entram nos sistemas educativos em 2018 serão jovens adultos em 2030. As escolas têm de os preparar para empregos que ainda não foram criados, para tecnologias que não foram ainda inventadas, para resolver problemas que ainda não foram antecipados. Aproveitar oportunidades e encontrar soluções será uma responsabilidade partilhada. Temos a responsabilidade de educar estas crianças, tornando-as competentes, equipadas com o conhecimento, as capacidades, as atitudes e os valores que os tornam capazes de ser os construtores de um futuro melhor. Estamos todos convidados a perguntar qual o melhor modelo de aprendizagem que ajudará os alunos a ter sucesso no desenho do mundo sobre o qual agirão.

Através do projeto da OCDE O futuro da educação e competências 2030, 29 países e economias estão a colaborar para a encontrar perguntas para duas perguntas prementes:
  • De que tipo de conhecimentos, capacidades, atitudes e valores vão necessitar os estudantes para ter sucesso e modelar o seu mundo?
  • Como podem os sistemas educativos desenvolver esse conjunto de competências?
O projeto não procura estabelecer uma abordagem uniforme para os sistemas educativos, porque isso não ajudaria a responder a estas questões. Pelo contrário, fornece uma plataforma para o desenvolvimento de uma compreensão partilhada sobre desenho curricular. Estudantes preparados para o futuro precisam de ser agentes ativos quer na sua própria educação, quer na sua própria vida. Ser agente implica um sentido de responsabilidade para participar no mundo e, assim, influenciar pessoas, eventos e circunstâncias para o que é melhor. Ser agente assenta no poder de modelar um propósito e identificar ações para o conseguir. Uma educação de sucesso prepara jovens que pensam por si só e trabalham e vivem com os outros. Isto implica desenvolver a capacidade de resolver problemas complexos, de questionar a sabedoria estabelecida, integrando conhecimento emergente, de comunicar eficientemente e de promover o bem-estar. Os jovens precisam do conhecimento que é adquirido sem o recurso único a rotinas de memorização. Formas múltiplas de avaliação, metodologias ativas de ensino e aprendizagem, trabalho interdisciplinar, trazendo o mundo real para dentro da sala de aula — estes são ingredientes nucleares para este objetivo de promover uma aprendizagem melhor e mais profunda.

A partir das Competências Chave (desenvolvidas no projeto OCDE DeSeCO – Definição e Seleção de Competências), o projeto Educação 2030 identificou três categorias adicionais, conhecidas como Competências Transformadoras:
Criar novos valores: é necessário pensar criativamente, desenvolver novos produtos e serviços, novos empregos, novos processos e métodos, novas formas de pensar e viver, novas empresas, novos setores, novos modelos de negócio e novos modelos sociais. Cada vez mais, a inovação não emerge de indivíduos que pensam e trabalham sozinhos, mas da cooperação e colaboração que permitir criar novo conhecimento a partir do conhecimento existente.
Reconciliar tensões e dilemas: é hoje necessário pensar de forma mais integrada para impedir conclusões prematuras e reconhecer interconexões. Num mundo de interdependência e conflito, os indivíduos assegurarão com sucesso o seu bem-estar, o das suas famílias e das suas comunidades, somente através do desenvolvimento desta segunda competência transformadora: a capacidade de reconciliar os seus próprios objetivos com as perspetivas dos outros.
Assumir responsabilidade: lidar com a novidade, a mudança, a diversidade e a ambiguidade assume que os indivíduos podem pensar autonomamente e trabalhar com os outros. De igual modo, a criatividade e a resolução de problemas requer a capacidade para considerar as consequências futuras das ações de cada um, para avaliar risco e recompensa, e para aceitar a responsabilização pelos produtos do trabalho desenvolvido. Isto sugere um sentido de responsabilidade, e maturidade moral e intelectual, com a qual uma pessoa pode refletir sobre as suas ações e avaliá-las à luz das suas experiências e dos objetivos pessoais e da sociedade, à luz dos que lhes foi ensinado e dito, e à luz dos que está certo ou errado.

Muitos atores são chamados a desempenhar um papel para que estas competências possam ser desenvolvidas. Para ajudar a desenvolver o compromisso e a capacidade de ser agente naqueles que aprendem, precisamos não só de reconhecer a sua diversidade individual e o seu potencial, mas também de reconhecer que o conjunto mais largo de relações que influenciam a sua aprendizagem — com os seus professores, os seus colegas, famílias e comunidades. Um conceito fundamental que subjaz a este modelo de aprendizagem é, portanto, o de “co-construção” — as relações interativas de suporte mútuo que ajudam os alunos a progredir em direção aos seus objetivos. Neste contexto, todos devemos considerar-nos aprendentes, não apenas os alunos, mas também os professores, as escolas, os decisores políticos, as famílias e as comunidades. Se a aprendizagem está no centro, é crítico o desenvolvimento de comunidades de aprendizagem.

O grupo de consultores do Projeto da OCDE Future of Education and Skills 2030

Fonte: Público

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Síntese sobre a aplicação de condições de realização de provas e exames


Os alunos com um currículo específico individual (artigo 21.º do referido Decreto‐Lei) não realizam provas ou exames finais nacionais uma vez que, de acordo com o n.º 2 do artigo 20.º do normativo acima mencionado, “não estão sujeitos ao regime de transição de ano escolar nem ao processo de avaliação característico do regime educativo comum, ficando sujeitos aos critérios específicos de avaliação definidos no respetivo programa educativo individual”.

Os alunos ao abrigo do Decreto‐Lei n.º 3/2008, de 7 de janeiro, na sua redação atual, prestam as provas e os exames previstos para os restantes examinandos podendo, no entanto, sob proposta do professor titular de turma/conselho de docentes ou do diretor de turma/conselho de turma, ser autorizada a aplicação de condições especiais na realização das provas de avaliação externa e nas provas de equivalência à frequência.

Os alunos do ensino básico com a medida Adequações no Processo de Matrícula (matrícula por disciplinas) só devem realizar as provas relativas às disciplinas que se encontram a frequentar no presente ano letivo.

A aplicação das condições especiais previstas no Regulamento das provas de avaliação externa e das provas de equivalência à frequência do ensino básico e secundário depende do perfil de funcionalidade do aluno, tendo por referência as condições aplicadas ao nível da avaliação interna ao longo do ano letivo e contempladas no Programa Educativo Individual (PEI).

A solicitação de condições especiais deve ser expressa através de requerimento, formalizado pelo diretor da escola em plataforma eletrónica, a disponibilizar para o efeito pelo JNE. Relativamente às provas e exames finais (9º, 11º e 12º anos) será disponibilizada a plataforma eletrónica no endereço http://area.dge.mec.pt/jneac, entre os dias 16 de fevereiro e 16 de março. A plataforma contém indicações para o seu preenchimento. Para as provas de aferição será disponibilizada uma plataforma similar no endereço http://area.dge.mec.pt/jnepa/, entre os dias 9 a 27 de abril. A partir da data de encerramento não são permitidos novos registos, alteração de dados já inseridos ou submissão de documentos.

Os documentos necessários ao processo de realização de provas e exames que legitimam a aplicação de condições especiais são o PEI, a ata do conselho de docentes/turma, com a formalização da proposta de aplicação de condições especiais, e o respetivo despacho de autorização.

As condições especiais autorizadas para a realização de provas finais de ciclo ou exames finais nacionais são também aplicáveis na realização de provas de equivalência à frequência.

Guia para Aplicação de Condições Especiais na Realização de Provas e Exames – JNE 2018 3

Foi publicado o Guia para Aplicação de Condições Especiais na Realização de Provas e Exames – JNE 2018.

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NORMA 01/JNE/2018 – Instruções para a Inscrição nas Provas e Exames do Ensino Básico e do Ensino Secundário

Foi publicada a NORMA 01/JNE/2018 – Instruções para a Inscrição nas Provas e Exames do Ensino Básico e do Ensino Secundário.

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Regulamento das Provas de Avaliação Externa e das Provas de Equivalência à Frequência dos Ensinos Básico e Secundário

O Despacho Normativo n.º 4-A/2018, de 14 de fevereiro, aprova o Regulamento das Provas de Avaliação Externa e das Provas de Equivalência à Frequência dos Ensinos Básico e Secundário.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Pais de crianças com cancro pedem subsídio pago a 100% e mais tempo para os filhos

“Um desabafo que os pais fazem muitas vezes é que ninguém sabe o que estão a viver. É verdade, só quem vive aquela realidade é que percebe as implicações da doença. Nós, associações, somos os avós daquelas famílias, e é importante que quem legisla escute quem está próximo”, diz Alexandra Correia, coordenadora do núcleo sul da Acreditar. Todos os anos, em Portugal, são diagnosticados entre 400 e 450 novos casos de cancro pediátrico, e a incidência está a aumentar cerca de 1% ao ano. A taxa de sobrevivência ronda os 80%.

Quando surge o diagnóstico de cancro num filho, não é só o chão de desaparece. É uma rotina familiar que se altera por muito tempo. Os cancros pediátricos mais frequentes são os tumores do sistema nervoso central e as leucemias, que têm em média uma duração de tratamento entre dois e três anos. Amanhã, quinta-feira, assinala-se o Dia Internacional da Criança com Cancro, e a casa de Lisboa da Acreditar, associação que apoia estas crianças e as suas famílias, recebe o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, Nuno Miranda, para conversarem sobre os principais problemas em oncologia pediátrica. Um momento para lembrar que ainda há muito a fazer. Sobretudo a nível legislativo.

“Quando surge o diagnóstico de cancro, entre o aumento das despesas e a diminuição das receitas — porque um dos pais para acompanhar o filho recorre a uma baixa, e só recebe 65% do vencimento, ou acaba no desemprego — há um diferencial de cerca de 600 euros. Queremos que estes pais possam continuar a ter os rendimentos que tinham antes do diagnóstico”, diz Alexandra Correia. A associação recomenda que seja criado um subsídio de acompanhamento do filho com cancro no valor de 100% da remuneração de referência do pai ou da mãe.

As necessidades expressas pelas famílias não se esgotam aqui. “Hoje em dia, o que a lei prevê são quatro anos de licença para acompanhamento de um filho com cancro. Mas temos crianças que ficam muito mais tempo em tratamento. Queremos que, para estas situações, o período possa ser alargado. Por outro lado, existem fases críticas da doença — diagnóstico, agravamento da doença e fase terminal — em que seria importante ter a presença do pai e da mãe [em simultâneo], e isso não é possível porque, atualmente, se um pai pede a licença, o outro já não pode.”

As famílias sugerem assim que seja criada uma licença de 30 dias que o outro pai possa tirar com o cuidador principal. Pedem ainda flexibilidade de horários laborais, apoio para a compra de suplementos alimentares e outros produtos técnicos, a criação de um passaporte oncológico, que dará ao sobrevivente toda a informação que precisa para compreender os efeitos da doença.

Estas propostas estão, de resto, refletidas nas várias recomendações feitas ao Governo, publicadas em Diário da República a 30 de janeiro, e poderiam dar corpo à Lei 71/2009, que criou o regime especial de proteção de crianças e jovens com doença oncológica. É que, dessa lei, até agora, muito ficou por regulamentar. “A única mudança efectiva foi a regulamentação de um artigo relacionado com a questão da escolaridade”, diz Alexandra Correia, explicando que com a portaria, publicada em novembro, caso as escolas não tenham capacidade para dar resposta às necessidades das crianças, devem comunicá-lo ao Ministério da Educação para que seja encontrada uma solução.

A necessidade de mais investigação é também um ponto fulcral. A Acreditar e associações congéneres de mais 42 países enviaram uma carta ao comissário europeu da Saúde em dezembro. “Devem existir mais estudos. Quando percebemos o aumento da incidência e sabemos que as respostas eficazes são impactantes — a taxa de sobrevivência ronda os 80% —, não pode haver avanços tão espaçados [na inovação]”, diz Alexandra Correia.

Fonte: Público

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Ioga na educação para exercitar concentração e memória

A associação RYE France (Recherche sur le Ioga dans l’Éducation) surgiu há precisamente 40 anos pela mão de Micheline Flak, professora de ioga e professora de Inglês num colégio em Paris. Há cinco anos, a associação foi reconhecida pelo Ministério da Educação de França e entrou no programa curricular. Neste momento, em Paris, está a ser desenvolvida uma programação especial para comemorar os 40 anos desta associação que há 10 anos foi fundada no nosso país, no Porto, com o nome Associação RYE Portugal (Recherche sur le Ioga dans l’Éducation) que tem trabalhado junto de professores e educadores. Porque acredita que o ioga faz todo o sentido no contexto escolar, na educação. 

As técnicas utilizadas são variadas, inspiradas no ioga imemorial, e pretendem, essencialmente, o equilíbrio dos alunos para que estejam mais presentes nas aulas e desenvolvam o gosto pela aprendizagem. “Claro que os professores que se formam no RYE também aprendem pedagogias inovadoras, descobrem toda uma outra possibilidade de ensinarem, e também encontram uma outra energia”, revela Teresa Messeder, da associação RYE Portugal. “Quando sentem que os alunos estão cansados, ou agitados, ou desinteressados, os professores utilizam um exercício, dos muitos que aprenderam, e sabem quando e como os aplicar, poderão ser três minutos, mas isso chega para que as atitudes mudem”, acrescenta. 

A concentração é privilegiada neste ioga que pensa na educação e que dá ferramentas que podem ser utilizadas pelos professores dentro da sala de aulas em função das turmas que têm à sua frente. Exercícios respiratórios, de dois a quatro minutos, melhoram a oxigenação e facilitam a concentração e a atenção. Os alunos ficam mais despertos, mais disponíveis. Teresa Messeder garante que há alunos, sobretudo ao final da tarde, que já pedem aos professores que façam essas técnicas de relaxamento. 

Relaxar alunos, mantê-los focados, aumentar o gosto pela aprendizagem, ter alunos mais felizes. “Os professores assim sabem que há outras formas, outras hipóteses, de enfrentarem os problemas de indisciplinas atuais e de se aproximarem de certos alunos mais difíceis. Quando eles, por vezes, menos esperam, o professor atento, sempre atento, propõe um exercício novo no momento justo, em que os mais frágeis até esquecem os seus medos. O professor é para eles como um mágico, pois traz sempre uma novidade junto a uma aprendizagem que eles não vão esquecer”, refere.

Um professor pode fazer milagres 

O ioga para a educação tem seis pontos de trabalho que são a base das formações RYE. Criar uma boa relação entre alunos e professores. Preparar as articulações para melhor trabalharem. Desenvolver a consciência da boa postura para melhor aprenderem. Aprender a respirar melhor. Relaxar o corpo e a mente e, desta forma, a aprendizagem é bem acolhida. Concentrar a atenção para memorizar. 

Ser professor é uma enorme responsabilidade. Teresa Messeder refere que é importante modificar atitudes para uma vida mais serena. O docente deve fazer escolhas acertadas, organizar a vida no trabalho e em casa. Não se pode dispersar, deve preparar as suas coisas com antecedência, não deixar tudo para o último minuto. Tem de organizar o seu tempo para chegar a horas. Fazer introspeção e perguntar-se a si próprio “quem sou eu?”. Fazer exercícios de concentração, manter a mente serena. E colocar a pergunta sem medo da resposta: gosto de ser professor?

“Definir as nossas escolhas na vida em função das nossas aptidões pode ser um erro. Quando se escolhe ser professor ou professora é por sentir essa vocação? Ou porque é um emprego a que se concorre porque com os estudos que fizeram têm aptidões para concorrerem a esse trabalho?”, questiona. “Um professor(a) que tem aptidões para o ser, mas se não gosta do que faz, se não consegue lidar com os alunos, então que se retire, para evitar males maiores para si e para os outros. Se continuar, mais cedo ou mais tarde vai começar a entrar num estado de stress, na rampa descendente que já não consegue controlar.” “O burnout não será uma das consequências de um trabalho que não se gosta de fazer?”, pergunta. 

Professores mais tranquilos, alunos mais confiantes. Para ser professor é preciso ter alma de professor. Estar de corpo, mente e espírito. Tudo isso chega aos alunos. Teresa Messeder avisa, no entanto, que os problemas dos alunos não são apenas os problemas da escola. “Muitos dos alunos, desde crianças até grandes, vão para a escola com dois pesos: as mochilas nas costas e problemas familiares e outros na cabeça. Mas um professor atento e conhecedor dos seus alunos, e com a sua autenticidade, faz milagres”, afirma. 

A responsável defende que a introdução do Ioga RYE em contexto escolar faz todo o sentido. “E seria importante também criar sessões de ioga para todo o pessoal escolar”. Em abril começa mais um ciclo de formações RYE para professores de diferentes níveis de ensino, professores de ioga, pais, psicoterapeutas, educadores, especialistas em psicomotricidade. 

“O Acolhimento dos Alunos e a Relação com os Outros” é o primeiro workshop que terá lugar nos dias 14 e 15 de abril. Uma formação que propõe exercícios para o corpo e para a voz, de forma a dar confiança aos alunos e criar dinâmicas favoráveis ao estudo. “O Corpo na Aprendizagem” é o segundo, nos dias 12 e 13 de maio, para ensinar a estimular capacidades de aprendizagem e motivação apoiando-se na relação corpo e mente. Depois, em setembro, nos dias 29 e 30, abordam-se emoções e a criatividade numa oficina que pretende ensinar técnicas oriundas do ioga que permitem equilibrar as emoções, favorecer a autoestima, e estimular a expressão da criatividade. Em 17 e 18 de novembro, abordam-se práticas para serem aplicadas na sala de aula, a diferentes idades e contextos, tendo em conta o desenvolvimento físico, psicoafetivo e cognitivo dos alunos.

Fonte: Educare por indicação de Livresco

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Descontos na CP chegam a mais pessoas com deficiência

O Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. e a Comboios de Portugal, E.P.E. assinaram, no dia 8 de fevereiro de 2018, um aditamento ao protocolo "Descontos para pessoas com deficiência".

O aditamento ao protocolo existente pretende alargar o número pessoas com deficiência beneficiadas, passando a abranger pessoas com incapacidade igual ou superior a 60% e inferior a 80%, as quais usufruirão de 20% de desconto no bilhete para qualquer comboio. 

Para poder usufruir deste serviço basta apresentar o bilhete de identidade ou cartão do cidadão e o atestado de incapacidade multiusos.

No ato da assinatura estiveram presentes a Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, o Secretário de Estado das Infraestruturas, o Presidente do Conselho Diretivo Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., o Presidente da CP Comboios de Portugal, E.P.E., bem como representantes das organizações das pessoas com deficiência.

"A CP foi, e ainda é, no setor dos transportes, a primeira a executar medidas que visam implementar condições de acessibilidade para todos aqueles que enfrentam dificuldades permanentes ou temporárias de mobilidade", referiu Carlos Gomes Nogueira, presidente da CP, destacando a importância do trabalho desenvolvido por esta entidade em prol de "vencer barreiras e criar condições de uma verdadeira politica de inclusão".

De acordo com a Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, 2017 apresenta um saldo de mais de 65.000 viagens apoiadas no âmbito deste protocolo. "Com estes dados estamos seguros que estamos no caminho certo. Queremos as pessoas cada vez mais fora de casa, em movimento, cada vez mais incluídas na sociedade. Este é um incentivo a essa maior autonomia e participação cidadã das pessoas com deficiência. É essa a razão de estarmos aqui hoje", frisou Ana Sofia Antunes.

Por sua vez, Guilherme d'Oliveira Martins, Secretário de Estado das Infraestruturas, destacou a importância de conjugar a realidade da mobilidade com a da inclusão. "A CP está muito empenhada em aprofundar este protocolo, e esta assinatura veio demonstrar essa intenção de dar mais um passo, um passo para a inclusão conjugada com a mobilidade".

As pessoas com incapacidade igual ou superior a 60% e inferior a 80% poderão usufruir deste benefício a partir do dia 1 de março de 2018.

Mantém-se em vigor os descontos que existiam no âmbito deste protocolo para pessoas com deficiência com um grau de incapacidade igual ou superior a 80%.

Fonte: INR

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Alunos com dificuldades em aprender vão ter novos apoios

O Instituto de Apoio à Criança defende que a legislação que está a ser preparada para apoiar os alunos com dificuldades em aprender, e que não estão abrangidos pelo decreto-lei sobre o ensino especial, incluam a necessidade de um "maior apoio à família" dos jovens sinalizados. Intervenção que já é feita pelas suas equipas nos agrupamentos escolares onde estão presentes.

Esta posição está defendida no parecer que o instituto deu sobre um novo regime legal para a inclusão em contexto educativo que o Ministério da Educação está a preparar e que pretende ser uma resposta para os alunos com dificuldades de aprendizagem identificadas. A proposta de decreto lei já esteve em consulta pública e está em processo legislativo, sem data ainda para a sua discussão no Parlamento. O novo regime vai centrar-se na "identificação das necessidades específicas de cada aluno, cabendo à escola e aos seus parceiros encontrar respostas adequadas para cada situação. A mesma proposta "prevê a criação de equipas multidisciplinares para a identificação de medidas a implementar" que possam ajudar os alunos.

E é nesse âmbito que surge a defesa da necessidade de se atuar também junto das famílias, tal como já é feito pelas equipas dos Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família, do Instituto de Apoio à Criança. Estes técnicos fazem visitas domiciliárias para identificar o contexto sócio-económico das famílias e as dificuldades dos pais em acompanhar os filhos no percurso escolar. Tentam, assim, fazer com que os jovens não desistam de ir à escola e que possam ter um percurso positivo.

No acompanhamento aos 2747 jovens sinalizados em agrupamentos escolares de dez distritos, os Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família detetaram 523 casos de dificuldades de aprendizagem. Correspondem a 19% dos problemas de ensino diagnosticados no ano letivo 2016/2017.

Atualmente estas crianças não têm resposta adequada porque nem são alunos com necessidades educativas especiais - logo não são abrangidos pelo decreto-lei que é dirigido aos alunos com limitações, por exemplo, ao nível da comunicação, mobilidade ou autonomia - nem têm direito a apoio especializado. "São os alunos da linha cinzenta", descreve Melanie Tavares, especialista em Psicologia da Educação e coordenadora dos setores Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança e Atividade Lúdica da rede GAAF. "Estes alunos já são identificados pelo sistema através da avaliação pedagógica feita por um professor e um psicólogo. Mas não são encaixados no ensino especial. Algumas escolas têm o recurso ao Apoio Pedagógico de Aprendizagem para estas crianças, mas que funciona quando os professores têm tempo suficiente no seu horário porque não é obrigatório", explicou (...).

O Instituto de Apoio à Criança foi convidado a participar na consulta pública do novo regime de educação. Melanie Tavares congratula-se "com o reforço previsto de equipas multidisciplinares para identificar estes casos mas a criação de soluções fica do lado da escola". No parecer do IAC é referido que alguns aspetos podiam ser melhorados. Além da já referida necessidade de apoiar a família, destaca que o novo regime de inclusão vai aplicar-se também às escolas da rede privada, cooperativa e solidária, instituições que "não contemplam na sua estrutura uma equipa de educação especial (...) por não haver obrigatoriedade legal para o mesmo".

E criticam o facto de as equipas do Centro de Recursos para a Inclusão - que devem apoiar as crianças e jovens com deficiências e incapacidades, em parceria com as comunidades - serem "externas e provenientes de uma administração financeira que não faz a gestão dos recursos humanos de acordo com as necessidades da escola".

Vêm de meios pobres

As crianças com dificuldades de aprendizagem diagnosticadas pelos GAAF "acabam por ter muitas retenções e problemas de ordem emocional", sublinha Melanie Tavares. "Deve-se ao contexto social e económico, pois vêm de meios pobres onde os pais investem pouco tempo na sua educação e muitas vezes só se apercebem do insucesso dos filhos depois de muitas faltas dadas por eles". Quando estes gabinetes encontram nestes meios crianças inteligentes e com gosto de aprender, fazem de tudo para as apoiar.

"Recordo o caso de uma menina guineense que vivia com os pais e cinco irmãos numa casa pobre no bairro problemático da Quinta do Mocho, em Sacavém", diz Melanie Tavares. Era a única da família que insistia em aprender as lições da escola, apesar de ser espancada pela mãe de forma reiterada. "Trabalhámos com a mãe, em visitas ao domicílio, e conseguimos que a miúda, que era inteligente, fizesse um curso profissional para ter o 12º ano", descreveu a especialista em Psicologia da Educação.

Também a professora do 1.º ciclo Sílvia Ramos tem uma longa experiência com crianças em bairros difíceis de Lisboa e periferias. Para ela, a solução está "em cativar estes miúdos, de forma diferente". "Para a minha tese de mestrado, sobre o ensino da Música em contextos desestruturados, trabalhei com miúdos dos bairros Cova da Moura (Amadora), Casalinho da Ajuda e 2 de Maio, em Lisboa. O que aprendi é que não é com o Português e a Matemática que os cativamos para a escola, é através da expressão musical, plástica, etc. É necessário uma desformatação dos professores", aponta Sílvia, que este ano está colocada numa escola no bairro do Restelo, em Lisboa.

"Estou a ensinar crianças ciganas, entre os 8 e os 13 anos, que estão a adorar música". São alunos com o estigma colado à pele: "Avisaram-me logo que os miúdos podiam roubar os instrumentos. Expliquei-lhes que se o fizessem nunca mais iam tocar música. Resultado: todos os dias devolvem o instrumento intacto", contou.

O número de alunos sinalizados na rede GAAF é de 9% face ao total de alunos dos agrupamentos onde estão incluídos (29 617). A média de resolução dos problemas no ano letivo passado rondou os 50%, refere no seu relatório de atividade.

Com a intervenção dos GAAF os alunos diminuíram a agressividade, os problemas de comportamento nas aulas e a violência verbal e física. No último ano letivo o bullying desceu: menos 48,6% de agressores e menos 40,7% de vítimas. Mas foram sinalizadas 352 crianças e adolescentes com perturbações do foro psicológico (15,88% dos casos). O que está também associado à negligência escolar (321 casos) e à negligência afetiva (187 casos) de que são vítimas por parte dos pais, e que representam, respetivamente, 14,4% e 4% dos problemas individuais diagnosticados.

Fonte: DN

Caminha investe na promoção de uma aprendizagem inclusiva

A Câmara de Caminha celebrou um protocolo com a Associação de Ação Social ETHOS que vai permitir realizar atividades terapêuticas com cães a alunos do agrupamento de Escolas Sidónio Pais, com necessidades educativas especiais, anunciou esta segunda-feira aquela autarquia.

Este ano letivo, a câmara vai investir 5.248 euros naquele apoio especializado.

Para além do sucesso educativo, através deste protocolo pretende-semelhorar a qualidade de vida de crianças e jovens com deficiência, incapacidades, em risco de exclusão social, expostos a episódios traumáticos, hospitalizados de longa duração, ou outras necessidades especiais suscetíveis de intervenção, no âmbito da educação, da saúde ou da assistência social”, explicou a autarquia.

A ETHOS é uma Associação de Ação Social sem fins lucrativos, que foca a sua atividade na Intervenção Educativa e Terapêutica Assistida por Cães (IETAC).

Fonte: O Minho